A Prefeitura de São Paulo retomou nesta semana as discussões sobre um modelo revisado de bilhete único integrado entre ônibus municipais, ônibus intermunicipais e o metrô. A proposta, que circula há mais de um ano em gabinetes técnicos, ganhou nova versão depois de consultas com operadoras de transporte e representantes de usuários.

O ponto central da mudança é a simplificação tarifária. Hoje, quem precisa combinar ônibus e metrô em uma mesma viagem paga tarifas distintas em cada modal. O novo modelo prevê uma única cobrança com transferência gratuita em até 90 minutos — prazo que especialistas consideram adequado para a maioria dos deslocamentos na capital.

O que dizem os gestores

Segundo fontes da Secretaria Municipal de Mobilidade, o projeto está em fase de simulação financeira. "Precisamos garantir que a integração não gere déficit operacional para as concessionárias", afirmou um técnico que acompanha o processo. A estimativa preliminar indica que o subsídio municipal precisaria aumentar entre 8% e 12% para cobrir a diferença.

Para quem ganha salário mínimo e gasta R$ 280 por mês em transporte, qualquer redução faz diferença no fim do mês.

Associações de moradores de periferia receberam a proposta com cautela. "Já vimos promessas parecidas antes", disse João Pedro Lima, coordenador de um coletivo de Itaquera. "O que importa é o prazo de implementação e se vai funcionar nos corredores de ônibus, não só no metrô."

Impacto no bolso das famílias

Pesquisadores da Universidade de São Paulo calcularam que a integração plena poderia reduzir em até 22% o gasto mensal de trabalhadores que usam dois ou mais modais. O estudo, ainda não publicado, baseou-se em dados de bilhetagem eletrônica de 2025.

As empresas de ônibus, por outro lado, temem perda de receita nas linhas que hoje captam passageiros que evitam o metrô por causa da tarifa adicional. O sindicato do setor pediu reunião com a prefeitura para discutir compensações.

A votação na Câmara Municipal está prevista para julho. Se aprovada, a implementação gradual começaria em setembro, começando pelas estações de metrô das zonas leste e sul — regiões com maior volume de integrações ônibus-trem.

Marina Alves cobre política urbana e mobilidade. Jornalista formada pela USP, trabalhou em redações de São Paulo antes de se juntar ao Compra Agora.